terça-feira, janeiro 02, 2007

mais forte do que a morte

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fotografia de antónio ferra

Voz amiga, de um dos blogues que fazem permanecer neste posto, fez-me notar o lapso da data do post anterior, que era de Dezembro de 2007 e não de Dezembro de 2006 e acrescenta:

talvez a Armandina tenha percorrido o ano todo de desejo?


Não sei já bem o que é o tempo, desde que o voo das aves baixou e tudo ficou em suspenso como se nada mais pudesse acontecer. Tenho sentido este peso a puxar-me para a terra dia e noite, como quando se está de luto e nos sentimos traidores por estarmos ainda vivos.

nenhuma solidão, nenhuma mágoa, nenhum ódio é mais longe que esta espera, que foi até agora, infinita, magestosa, soberana dona da minha vida.

sem rumo, sem regra, sem deuses, tenho caminhado só porque conheço de cor todos os caminhos, mesmos os de pedras árduas onde nunca andei mas poderia ter andado, de outra tivesse sido a minha geografia.

a luz entrará novamente no lar que ainda existe, os escombros estão perfeitamente imóveis à espera desta luz para se reconstruírem sozinhos, com a matéria viva dos sonhos que gerámos nas noites intermináveis.

aos dezanove dias de janeiro começa enfim este ano, que iluminará para sempre a sombra, que se ergueu como um muro, o muro que nos separou, o sol que não vinha, a formiga que prendia a patinha na neve, e o sol que não vinha e a sombra que se erguia atrás do muro, em vez do sol, e do mar

tenho tudo aqui, na palma da mão. o teu adeus, alegre, confuso, balbuciante, o teu adeus que abaterá o muro, para que não se erga nunca mais.

eu continuarei aqui, invencível no meu amor

mais forte do que a morte

armandina maia, dia um de janeiro de dois mil e sete

7 comentários:

lector disse...

«aos dezanove dias de janeiro começa enfim este ano, que iluminará para sempre a sombra» escreve a armandina, e hölderlin: « ...e de novo um ano da nossa alma começa!»

o tempo dos calendários, já se sabe, não se decalca pelo tempo da vida. os ritmos do tempo oficial corre alheio ao tempo da vida dos afectos. esta conhece a perda e a ressuscitação. a armandina está na aprendizagem e ensinamento da ressuscitação.

obrigado e bom ano de 2007!

MAM disse...

é mesmo verdade, lector, não podia encontrar melho imagem vou escrevê-la, para a encontar sempre diante de mim, sem esquecer nunca que aprendizagem e ensinamento são só uma dualidade aparente, pois uma unicidade os funde, alateridade que a tudo subjaz.
obrigada por me ajudar nesta via..
armandina

Ultraperiférico disse...

A grandeza, também acredito, é no amor, corrente que faz permanecer, que torna mais alta a nossa pequena e transitória condição.
Mil desejos, mil abraços, que te espere o ano merecido, como eu sei.
> Roteia

AGB disse...

Há coisas que estão para lá das palavras e que só nós próprios as sentimos com a sua carga completa, embora a sua universalidade exista ornada de várias cores.

bettips disse...

Não se pode sequer falar. Nem respirar, com esta escrita. Quando se liquefaz assim um sofrer, sinto pudor. Deixo um raio de sol, entrando a medo pela porta entreaberta.

alecerosana disse...

Um abraço!

Nuno Gouveia disse...

Querida Armandina,
Nem sei que lhe diga.
Vamos para um lugar comum?!
Bom ano, novo.

e ainda:
o amor e a morte vencem o mais forte.

Abraço eterno.