quinta-feira, janeiro 11, 2007

contagem [de]crescente

imagem de António Ferra

Um caudal de tristeza arrastou-me para uma corrente sem fundo. Os dias sucederam-se negros e iguais, sem brecha por onde passasse qualquer pequena luz a dizer-me de ti. Só (n)0 meu coração te sabia, sem como nem onde, como um presságio de vida, um sopro que nos consente dar os passos em volta de nós e permanecermos vivos, apesar. É assim que conhecemos a verdadeira dimensão do amor, quando um lugar fica vazio e não nos podemos sentar nele, porque aquele é o lugar de nós e o meu eu desnasce sem o nós que tu me trazes. É então que viajamos pelas ruas, pelos becos, pelas igrejas, pelos abismos, à procura do encontro que nos há-de conduzir de novo à luz que nos coroava as cabeças quando éramos parte um do outro. Sabia-te à procura da saída do labirinto, a encher o peito de força e o coração de lágrimas, que os olhos, nossos, tinham secado diante da parede nua e fria que se erguia, como a formiguinha com a patinha presa na neve.

armandina maia, dia 11 de Janeiro de 2006

2 comentários:

casoual disse...

Um abraço, humano, ainda que demasiado humano.
Carlos Sousa de Almeida
http://casoual.wordpress.com

hfm disse...

Gostei de ler.