sábado, junho 10, 2006

Timor, uma independência (?) a lembrar neste nosso 10 de Junho, em que "deus é o piloto do infinito"




Massi Olarinda, Tata-Hateke Ba Dok A viagem dos sons, Timor
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Em mim, a guerra
Divide os continentes.
O laço oceânico, que embora nos unia,
Cortaram-no.
Restam duas flâmulas, que a pouco
Desfalecem, sumidas
E pouco flutuam
Nos abismos nocturnos.
É tempo de ir em busca de outros mundos,
Movido pelo império que em mim se usa;
Capitão da minha escuna,
As vozes de coragem comandam
Em todos que em mim se escutam e confiam.


Decidimos os destinos
Ausentes de emoção;
O sangue derramado que nos guia,
O nosso sangue!
É ele que em nós resgata a divindade.


Olhai, vós, desgraçados,
Mercenários do presente!
É ainda a dor esmagada que vos prende
Que em nós torna daudável a loucura.


Tão certos rasgamos a onda que nos leva,
Nós, os deserdados das histórias de crianças,
Erguidos à Vida!
Tão sérios os rostos nas vésperas do sonho...
Tão sérios os rostos.
Só Deus nos faria regressar... Ah!
Mas Deus é o piloto do infinito.


Vinde, pois, irmãos de um outro sangue
—Amigos, chegados sem prévio aviso ou súplica
—Vinde!
É tempo de sermos nós os mandatários,
Colonos da Terra infecundada.


Ruy Cinatti


Ler mais através deste lugar.

7 comentários:

C.S.A. disse...

Sabe de quem me lembrei hoje? Do Fernando Sylvan, tão injustamente esquecido. Além do escritor, é (ainda) um homem que sempre recordarei pela delicadeza e afabilidade com que me tratou.

C.S.A. disse...

Peço desculpa pela "ligação" mal feita:
http://casoual.wordpress.com/

Antonio Garcia Barreto disse...

Ruy Cinatti não podia vir mais a propósito.

Ultraperiférico disse...

Sempre lembrado como poeta e frequentemente esquecido como cientista, Ruy Cinatti é uma figura ímpar da investigação do território timorense do período colonial.
O Museu Nacional de Etnologia publicou uns estudos há anos e dedicou-lhe uma exposição que merecia ser reposta.
Mas o quase ignorado trabalho fotográfico de Cinatti e dos seus colaboradores em Timor necessita de uma monografia exemplar, a partir de uma abordagem estética.
Abraços. Roteia.

TsiWari disse...

e lembrar os trovante:

Ai, Timor! Se outros calam, cantemos nós...

alecerosana disse...

Vim apenas para dizer o que está dito - Ai Timor...

ceciliaduarte disse...

gosto muito deste cantinho do conhecimento,
gosto ainda mais das viagens que faço nele e das surpresas que me aparecem.
andar por aqui é descobrir sempre coisas com que ne identifico no fascinio da escrita