domingo, dezembro 24, 2006

a esperança continua a ser o berço que nunca abandonámos


natais pequeninos

Recolhem-se os pedaços de fita que ainda podemos aproveitar, restos de embrulhos, sobras da comida que ainda imitamos, por persistir na memória das coisas.
se calhar, mais do que tudo, existimos nela, a tal memória que nos cola os cacos que um dia nos aparecem à frente como uma barreira intransponível. uma daquelas barreiras pequeninas e cobardezinhas, que cortam o olhar de quem quer passar além.
vivemos todos atrás de uma barreira assim, pequenina e cobarde.
só a memória leva até ao outro lado.
eu sou só a mais longa memória do que vivi, do que vi e do que pressenti.
e sou ainda a viagem constante entre rostos que me deram a vida que todos os dias me sobra, do muito que já me coube.
por isso eu quero cada vez menos natais pequeninos de shoping center, habituada como estou às mordomias de natais diários, em trocas de amigos que vão onde eu for, onde quer que seja o norte.

armandina maia
natal de 2004


natais dos pequeninos

Sabendo, como sabemos, da sua passagem efémera e de como tantos se afastam cada dia que passa de um qualquer espírito de ajuda, fraterno e solidário,
mas sabendo, como sabemos, que a nossa vontade tem de ser maior, e vencer a vidinha que com tanta nitidez se desenha no horizonte poluído de gente infértil,
sabendo, como sabemos, que continuamos juntos, num abraço que nunca se desfez, a esperança continua a ser o berço que nunca abandonámos, seja ou não dia de natal.


armandina maia
natal de 2006

5 comentários:

Rotação dos tempos disse...

Um Feliz Natal e um 2007 melhor que 2006, são os meus sinceros votos.
http://rotacaodostempos.blogs.sapo.pt

TsiWari disse...

será sempre Natal entre os amigos que vamos conquistando

que esta magia se estenda por todo o 2007 ***

bettips disse...

Esperança e LUZ para ti! Abç

Ultraperiférico disse...

Sim, a esperança. E aproveitar estes ultimos dias de 2006 a preparar o terreno para bem a receber e bem tratar em 2007.
Abraços de Propranolol.

casoual disse...

Cara Armandina, venho deixar-lhe um abraço e uma palavra - não sei qual - que nos desça, como dizia o poeta, para os olhos, os húmidos... queria brilhar, queria brilhar, embora haja muito quem esteja a dormir.
Carlos Sousa de Almeida
http://casoual.wordpress.com